
João Marcondes Neto, mais conhecido como mestre Marcondes, renomado capoeirista focado na preservação e no ensino da cultura afro-brasileira, morreu na última sexta-feira (27) de insuficiência respiratória decorrente de uma pneumonia. Líder da Associação de Capoeira Mistura de Raça, Marcondes construiu boa parte de sua carreira em Guarulhos. Ele tinha 62 anos. A Câmara Municipal prestou uma homenagem ao mestre nesta segunda-feira (2).
Há alguns anos Marcondes sofreu um derrame que o debilitou e desde então utilizava uma cadeira de rodas. Ele é o personagem principal do documentário “A História da Mistura de Raça e do Mestre Marcondes”, que teve gravações em Guarulhos e em cidades da Baixada Santista e está na fase de montagem, com lançamento previsto para este ano com première no Teatro Adamastor e apoio da Subsecretaria da Igualdade Racial de Guarulhos.
Em 2025 Marcondes recebeu o título de “mestríssimo”, raro reconhecimento de vasta experiência concedido pelo Conselho de Mestres da Liga Guarulhense de Capoeira. Ele é autor do livro “Mistura de Raça – Capoeirista”, lançado em 2011 e que pode ser adquirido em formato físico ou digital pelo site https://clubedeautores.com.br/livro/mistura-de-raca, link que também contém um trecho da obra.
A capoeira representa não apenas um legado histórico, mas também uma ferramenta poderosa para o desenvolvimento físico, emocional e social de seus praticantes, comentou Marcondes durante a gravação do documentário em agosto de 2025 no Adamastor. De acordo com ele, um dos objetivos da prática é afastar jovens da criminalidade ao oferecer uma alternativa saudável e construtiva.
Segundo Marcondes, durante os encontros os participantes têm a oportunidade de socializar, criar vínculos positivos, desenvolver habilidades que podem se tornar uma profissão, como a de professor de capoeira, aprender valores morais e princípios éticos essenciais para a formação do caráter e praticar um esporte que é também uma manifestação cultural.
A capoeira foi criada pelos escravizados africanos no Brasil como forma de resistência e libertação, disfarçada sob a aparência de dança. Hoje ela é reconhecida como patrimônio cultural imaterial da Humanidade. Para Jorge Caniba Batista dos Santos, subsecretário da Igualdade Racial de Guarulhos, trata-se de uma rica expressão cultural afro-brasileira que une dança, música, cultura popular e brincadeira. Seus movimentos ágeis e criativos, executados com pés, mãos e acrobacias, tornam-na única no mundo.
Foto: Divulgação / PMG
